Sinto que ainda não dissemos tudo. Sinto que nunca o faremos. Nem eu quero dizer tudo. Um dia que te diga tudo e tu tudo me digas, já não vão existir mais palavras. Nem frases soltas. Apenas gestos. E aí acontecerá o beijo.
Paciência para lidar com o que não controlamos. Paciência para aceitar que há dias que a vida nos tira o tapete e caímos ao chão. Paciência para aceitar que, por vezes, precisamos ficar no chão. Aceitar situações, emoções, questionar sentimentos. Existem múltiplas perguntas na cabeça pelas quais não existem respostas. Chega sorrateira a culpa de sentir algo que não queríamos sentir. Singelamente se torna a angústia de ser preciso lidar com tudo, novamente. Lidar com assuntos que pensávamos já estar encerrados na nossa mente, no nosso coração. E a vida mostra que não. A vida mostra que há feridas que passamos para trás das costas porque sentir naquele momento seria demasiado, desajustado, quebrado. Então arrumamos as emoções. O tempo passa, os anos passam e tudo está intacto. Assim como uma estante com potes de vidro fechados com tampas, onde cada um deles representa as tuas emoções. Cada emoção ligada a um momento da tua vida. Existem potes que agarraste, foram abertos, usados, perdoad...
Na verdade, nem sei bem por onde começar. A minha dor vai além de qualquer palavra, desta vez, nem escrever me alivia. É uma dor que me consome a cada momento que bloqueia qualquer coisa lógica que queira dizer de ti. Também, não é para ter lógica, é para ser sentido. Então, vou começar assim: foste “O coelho”. Desejava um coelho orelhudo há muito tempo e tu apareceste nos braços do meu namorado, com um laçarote numa gaiola. Nem sabia os tantos cuidados que os coelhos exigiam, nem todas as suas necessidades, era tudo novo. Levou pouco tempo para me afeiçoar a ti, em pouco tempo, amava-te como hoje. Na verdade, vou começar assim: foste “O meu amor”. Comecei a viver sozinha em Évora, longe de casa e dos meus pais, no meu pequeno T0. Adotei-te como um filho. Estava viciada em ti e comecei a ler imensas coisas de coelhos. Percebi, que não eras apenas um coelho, eras uma companhia como se fosse um cão. Todos os momentos contigo eram poucos, pensei sempre eu, talvez algo que dizia q...
Ontem após uma reunião e alguma conversa com os meus colegas na igreja do Espírito Santo, caminhei com uma colega que conheci recentemente até às Portas de Mouras, onde daí segui sozinha em direcção a casa, passando pelas ruas e travessas do centro histórico de Évora. Foi das poucas vezes que me encontrei aquela hora, sem efeito nenhum causado no meu corpo, estava completamente sóbria e sã. No meu caminho de pensamentos para casa, encontrei uma grande amiga, já alegre de facto e a andar um pouco torta. Abracei-a, senti o calor da amizade das pessoas que conhecemos aqui em Évora, e que são pessoas que vão ficar comigo o resto da minha vida. E assim pintei um cenário colorido das coisas boas que esta Universidade me trouxe. Pouco mais a frente, em direcção à zoca, encontrei um rapaz a passear o seu amigo de quatro patas, e senti nesse instante saudades do meu cão... mais uma coisa que Évora me trouxe, sentir muita saudade dos que nos são especiais, ...
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