Diário d'Inês

quinta-feira, fevereiro 18, 2016

Viver

Querido diário,

"Peço-te que me devores ou então que me abandones.
     Quando sentires que falta algo terás a certeza de que falta tudo,
     porque nenhum copo meio cheio me preenche,
     porque nem sequer um copo quase cheio pode matar o que te preciso.
     A única rotina entre nós é a de irmos até à insensatez do que nunca experimentamos, inventar inocências que ainda não perdemos, estádios de evolução que nenhum Homem sabe que existem, e se algum ser superior existir vai ficar deprimido quando.
      Daqui a pouco chega a hora de ir.
      Eu vou para a minha casa, tu vais para a tua.
      Foi a maneira que encontramos de nos tornarmos raros, preciosidades humanas que passamos o dia a querer viver.
     Não fazemos promessas, não exigimos todo o tempo, não encontramos uma palavra ou várias que nos possam definir, não acreditamos na capacidade de haver julgamento justo para o que nenhuma lei conseguiria encerrar.
    Queremo-nos quando um de nós o decide, amamo-nos quando um de nós precisa amar.
    Sabemos que é pouco para quem tanto se quer.
    Mas é apenas o que sabe a pouco que nos mantém vivos.
    O que morre primeiro: não amar ou amar demais?

Pedro Chegas Freitas in Prometo Falhar.


 

terça-feira, fevereiro 16, 2016

Dezasseis

Querido diário,

Ontem foi dia quinze. Hoje é dia dezasseis. Amanhã dezassete.
Não se trata de aprender a contar. Mas de aprender a desenhar.
Não desenhes o coração do catorze. Desenha o coração da tua vida.
E acredita, sempre, que só tu o podes colorir.
Agarra-o. Porque todos os dias, são dias de ser feliz.
Pinta-o. Como quiseres, mas com sorrisos.
Com, ou sem catorze.


Saudações amorosas.

quarta-feira, fevereiro 03, 2016

Podia pedir às estrelas

Querido diário,

Podia pedir às estrelas que me guiassem. Que me mostrassem o meu caminho.
Pediria até para me levarem para um lugar bem longe daqui.
Que me presenteassem com quem tenho saudades.
Pediria às estrelas que acabassem com a fome no mundo.
Que olhassem pelos direitos das mulheres. Que guiassem todos os animais mal tratados.
Pediria para voltar atrás no tempo, ou pediria para me ajudar nas decisões do futuro.
Podia pedir às estrelas que levassem metade da loucura que há em mim.
Pedia que me fizessem calar metade do que digo e falar a outra metade que eu calo.
Podia pedir às estrelas que metade de mim não fosse amor.
E, quem sabe, a outra metade também não.
Pediria que terminassem as dúvidas. Ou, quem sabe, me dessem as respostas.
Podia até pedir mais amor ao falar e paciência ao ouvir.
Podia pedir às estrelas que ninguém que se ame fique separado.
Podia pedir às estrelas que...
O brilho das estrelas somos nós que fazemos.
Somos apenas nós que temos fazemos a nossa vida brilhar.
Somos nós que escolhemos ficar. Decidimos o lugar com vontade de estar.
Somos nós que podemos fazer brilhar o sorriso de alguém.
Somos nós que podemos dar o brilho ao nosso mundo e fazer brilhar um lugar onde vale a pena viver.
E tu... o que pedirias às estrelas hoje à noite?



quarta-feira, dezembro 16, 2015

Ainda sou aquela miúda

Ainda sou aquela miúda que acorda de manhã rabujenta mas que termina sempre o dia a sorrir. 
Mas aquela miúda que reclama quando sabe que tem razão e que protesta quando vê injustiças.
Ainda sou aquela miúda que quer fazer todos os dias serem as melhores memórias futuras. Mas sou a mulher que sabe que tristezas fazem parte.
Ainda sou a miúda que se comporta como uma criança quando está na companhia dos que mais gosta. Mas sou a mulher que oferece o colo quando eles precisam de chorar.
Ainda sou aquela miúda que para fazer acontecer é preciso sonhar. Mas sou aquela miúda que sonha - às vezes - com os pés assentes na terra.
Ainda sou aquela miúda que nunca perde a esperança, porque milagres acontecem a toda a hora. 
Mas sou aquela miúda que sabe que desistir é diferente de deixar ir.
Ainda sou aquela miúda que chora como uma criança, mas que tem a força de uma mulher.
E ainda sou aquela miúda que acredita que, no final, o amor vence sempre. E o amor, está nas mais pequenas coisas da vida.


terça-feira, dezembro 15, 2015

Intensamente

Querido diário,

"Penso demasiado em tudo. Se fiz bem, se fiz mal, se devia ou não, se podia ou não. Penso em tudo, até no mais insignificante pormenor no qual ninguém quer saber. Mas eu penso nele, e eu sofro por causa dele. O problema ainda não chegou mas eu já sofro com ele. Talvez seja porque vivo tudo intensamente, o mau, mas também o bom. Não conheço meios-termos ou formas leves e superficiais de sentir e viver. O meu coração pode estar sempre em sobressalto, mas pelo menos está sempre vivo.

Raul Minh'alma.

                                  

quarta-feira, outubro 07, 2015

A tua história

Na história da tua vida tu és a personagem que quiseres ser.
Cais as vezes que precisas cair, levantas com a coragem que tens de querer levantar.
A coragem de viver e escrever ser feliz.
Na minha história risco as poucas amizades, pouco amor, poucos abraços, poucos passos, poucos lado-a-lado.
Escreve a história que queres deixar acontecer. Apaga aquilo que te destrói e sublinha o que te constrói.
Na história da vida quando acreditas e sabes o teu caminho, não existe nenhum escritor que te mude a direcção.
Não existe quem te faça de incertezas. Quem venha com friezas. Escreve ficar com a única certeza de ser - sempre - feliz.
Com a certeza de que no teu mundo estão - apenas - aqueles que te querem bem. Em todas as tuas páginas. Estão os que te cuidam. Os que fazem parte. Os que surpreendem. Os que te fazem bem sentir. E que te fazem sorrir.
Na simplicidade de escrever ser feliz, viver é o mais complicado.
Apaga do livro quem não quer ficar. Deixa ir quem não te acrescenta. Quem não te faz sonhar. Quem não faz acreditar.
No meu mundo estou eu, estás tu e estamos nós. Os que querem - sempre - estar.
Quando estás a escrever a história da tua vida, não deixes que ninguém segure a caneta.
Porque no final, eu sorrio - sempre - não pelo meu final feliz, mas pela minha história. O final logo se vê se é feliz ou não.

quarta-feira, agosto 19, 2015

No meu mundo

Querido diário,

Em que mundo ando eu que não sei os passos que dou.
A terra que piso, o vento que me toca.
Em que mundo ando eu quando sinto sem nada sentir.
Sem sentir o toque, a alma que me pertence.
Em que mundo ando eu...
Quando quero correr sem ter destino, quando quero gritar até que a voz me doa.
Quando o mundo dá a volta e cada volta um recomeço.
Em que mundo ando eu, quando não ouço a minha voz.
Quando quero gritar e nem falar consigo.
Quando consigo fingir a dor de que nada sinto.
Quando preciso de um copo de vinho tinto.
Em que mundo ando eu, quando dou aquele passo em frente.
E quando sinto tudo aquilo que não quero sentir.
Em que mundo estou eu...