Diário d'Inês

domingo, novembro 30, 2014

Quase 30

Querido diário,

Se algum dia alguém te disse que irias fazer 29 anos, enganou-te. Quando esse dia chegar, não fazes 29 anos, fazes quase 30. E assim os verás, quando pensares na tua idade, são quase 30 anos. A meta dos 30, é quase alcançada e começas a ouvir bocas do “quase trintão”. A verdade é que, sentes-te assim. Tenho um free-postal comigo há uns 5 anos, que diz “disseram-me que ia perceber quando tivesse trinta” e assim te vais sentir, com quase 30. A meta entre ¼ de século e a idade dos trintões são apenas 5 anos. Mas são 5 anos onde, na realidade, acontece muita coisa. E não é apenas pelo que vives, experiências ou sentiste é pelo tempo e pela vida que passa por ti. Pode ser por tudo isso, mas só isso não chega. Porque o tempo passa por nós, muitas vezes sem te aperceberes. Quando chegas aos 29 pensas... Já?! Não sei se quero, já chega.
Se a partir dos teus 25 percebes algumas coisas, aos quase 30 percebes outras tantas e deixas de ter paciência para mais de metade das que já tinhas percebido. Deixas de ter paciência para conversas fúteis e banais, que por mais que antes dizias que não tinhas paciência, agora é que não tens mesmo, porque nem sequer as ouves. Começas a querer outro estilo de vida e nunca fazes as coisas apenas pela metade. Se fores um apaixonado por viver, exiges de ti e dos outros muito mais que antes. Não toleras mentiras, nem criancices. Sentes-te melhor com as pessoas da tua idade e gostas de ajudar os mais novos, assim como ouves melhor os mais velhos. Apercebeste que as mesmas experiências, realizadas com idades diferentes, é totalmente diferente. Mas apercebeste disso em várias fazes da vida e cada uma delas com outros olhos. E os 30, ou quase 30, é uma linha importante, sem dúvida.
Se queres ver a coisa com uma certa piada e fores mulher, pode ser uma boa fase. Os homens falam sempre bem das trintonas, mais decididas, experientes, activas e atraentes. Começas a ouvir sempre umas certas piadas à cerca disso. Basicamente, se não o fores aos 30, como dizem, já nunca mais vais ser. E na verdade apercebeste que mudas muito como mulher, as tuas exigências, pensamentos, conversas. Não tens problemas em dizer o que pensas, nem tabus em conversas, nem gostas de quem fala pela metade. Simplesmente falando, tornaste uma Mulher.
Na verdade, tu é que fazes a tua idade… Não, não é bem assim. A tua idade é que faz o teu espírito. Os teus anos, a tua vida e maneira de ser, fazem o teu espírito ser mais ou menos jovem, mais ou menos adulto. Mas é o passar do tempo que te dá as oportunidades e aí está a tua idade, que viveste como achavas que devias viver. Sentiste o que a vida te proporcionou baseada nas tuas escolhas. E de repente, tens quase 30. Os meus quase 30 posso dizer, foram bem vividos. Nas quantidades e no tempero certo. Posso dizer, que apimentei a minha vida, com o que ela me deu de melhor!

Saudações quase trintonas.

domingo, novembro 23, 2014

Um dia

Querido diário,

Um dia vais perceber, que na vida nada é certo. Um dia vais perceber que o teu caminho és tu que escolhes, mais ninguém. Vais perceber que os teus actos levam a outras escolhas e que nem sempre segues o caminho que desejas e que sempre esteve lá. E que muitas vezes te esqueces de qual era o caminho sem te aperceberes. Vais perceber que segues o caminho que tens de seguir ou, em certas alturas, segues apenas em frente, sem saber qual o teu caminho. E isso não é ruim, é viver, é ver a vida e é acreditar. Vais perceber, que quando te perderes nem todos vão lá estar e apenas vai estar quem realmente sempre esteve e sempre se importou contigo. Vais perceber que são poucos os que lá estão, mas são verdadeiros e vão caminhar a teu lado, não importa para onde vais. E vais perceber, que ninguém disse que ser feliz era fácil. Que quando fazes as tuas escolhas, tem de ser certas para ti e sem viver o que está para trás. Porque se revives, não escolheste verdadeiramente. Mas vais perceber que há coisas que não podemos deixar para trás, há coisas que temos de levar connosco no coração. Porque amar, não é para todos, mas apenas para alguns. Cuidar faz parte e deves dar sempre valor a quem esteve a teu lado, até nas mais pequenas coisas. E que o amor, não se mede aos palmos mas constrói-se. Que para ficar junto, é preciso respeitar, dar o teu melhor e saber lidar com o pior. E que por vezes no final de tudo, tens de guardar esse amor apenas para ti e saber viver com ele. Vais perceber, que as palavras apenas importam quando alguém significa algo para ti. Mas são os teus actos que te definem, porque palavras é fácil dizer. E que podes até mudar como pessoa, mas as memórias não mudam. Vais perceber, que às vezes as pessoas não são o que tu pensavas que eram. E sem saberes a razão, elas desiludem sem estares à espera. Que tudo o que queres fazer por elas, elas não vão fazer por ti. Ainda ficam com ideias erradas da tua pessoa sem razão ou porque lhes convém. E que tudo o que lhes deste, pode ter sido em vão. Vais perceber, que muitas vezes as pessoas magoam sem ter intenção disso. E que muitas vezes se não disseres as coisas, elas não vão entender. Mas também vais perceber que a mágoa pode ser esquecida e as feridas são curadas com amor. Basta querer. Vais perceber, que tens de te focar na única razão para dar certo e não nas outras todas que podem dar errado. Um dia vais perceber, que não se manda embora quem realmente nos quer bem. Porque esses, são os que vão estar sempre sempre lá. Um dia vais perceber, que os poucos, mesmo que sejam loucos, são os verdadeiros.



quinta-feira, outubro 30, 2014

Novembro, 1






Querido diário,

Era impossível ser dia 1 de Novembro sem ti. Sem a minha capa, a minha companheira e o cofre dos meus segredos. Os emblemas, as histórias partilhadas e os momentos vividos, contigo.
Emblemas que nunca saíram, lagrimas que nunca foram limpas para além da chuva, confissões que apenas o negro conseguiu absorver. Emblemas esses, oferecidos por cada amigo. Amigos que em tempos foram - e são – família, todos os dias. Uma família que contruímos. Amigos que fiz e me orgulho de cada emblema que tenho. Amigos que posso falar diariamente ou daqui a um ano, como se fosse ontem. Amigos com que posso contar, sempre.
Histórias que tenho para contar, como apenas quem viveu “Évora” pode ter. Tenho histórias de alegria, tristeza, amor, paixão, raiva… Como se costuma dizer, histórias para todos os gostos. Hoje não seria igual sem elas e nem poderia ser. Tristes são aqueles, que não as viveram. Ainda eu acho, que não vivi tudo. Bom, mas vivi quase tudo. A essência de uma vida, passou por mim, por todos nós e isso chega para estarmos juntos.
Momentos… “Momentos que passam, saudades que ficam”. Foram de longe, os melhores tempos da minha vida. Momentos intensos de quem bate os seus sapatos na calçada, de quem aperta o botão da camisa, de quem fala ao “bicho”, de quem grita F R A e sobretudo, de quem traça a capa ao anoitecer. Tão especiais, são os nossos estudantes de Évora. 

É isto que me move, é isto que me faz largar a minha cidade, a minha capital para ir passar o dia à cidade que um dia foi minha, que um dia foi de todos nós. É por este “nós” que faço questão, de fazer estes tão desejados 130 quilómetros.

 Até já, Évora. Urra!!!

quarta-feira, julho 16, 2014

Varrer Ruas

Querido diário,

Todos os dias quando vou para o meu estágio e saio pela manhã, passo em Loures e vejo uma menina a varrer ruas. Ora bem, uma menina já na casa dos seus vinte e tal anos, mas o propósito de eu falar nesta menina é: uma rapariga nova a varrer ruas? Pois é, parece coisa que alguns não questionam, mas existem alguns pensamentos que advertem desta visão que tenho todos os dias. Sei que, em primeira instância esta menina pode estar a fazer trabalho comunitário por ter feito algo incorreto, mas acham que foi isto que pensei? Não. O meu pensamento foi além da crítica, como se a rapariga de cabelos longos precisasse do trabalho ou quisesse trabalhar. O meu pensamento foi, a menina que está a varrer ruas, tem todos os dias com um sorriso na cara, diz bom dia alegremente às pessoas e tem emprego. Tem um emprego ou um trabalho que é honesto como outro qualquer e que, por melhor ou pior que possa ser segundo outras opiniões, esta menina pode não estar a fazer o que gosta, mas está com um sorriso na face. Pode não estar a fazer o que gosta, mas quer trabalhar e trabalha e ainda mais, trabalha com um sorriso na cara! E é disto que precisamos. Um sorriso na cara e um "bom dia" todos os dias, porque os dias são para viver, até mesmo os que trabalhamos. Precisamos de vontade de trabalhar seja no que for e ser amável com o próximo. Porque como vêm, até o que para algumas pessoas é um simples varredor de rua, nos pode ensinar qualquer coisa.

Saudações alegres.

quarta-feira, maio 28, 2014

C'

Querido diário,

Na semana passada, despedi-me de mais uma amiga que foi à procura de um sonho fora do nosso pequeno País. Na verdade, não me despedi e desta vez não por não gostar de despedidas, mas porque me troquei nos dias numa mistura de dias que ela pretendia viajar. Mas sim, não gosto de despedidas, mas desta vez, tinha ido, mesmo às seis da manhã. Queria ter deixado, pelo menos "Boa Sorte". Como não desejei, aqui ficam coisas que já dissemos e ficam na memória, aqui ficam umas palavras soltas, para finalizar a minha "não despedida".

A nossa despedida foi em festa, nem poderia ser de outra forma. Numa vila do Alentejo, onde já há muito estava para ir e desta vez não poderia deixar adiar o convite, tive de conhecer antes de a ver partir para a "terra das oportunidades". Ela não gosta muito destas coisas e de lamechices... aliás, na verdade não sei se será não gostar, porque afinal, lá no fundo, todos gostamos. E às vezes quem é mais frio consegue ter um coração maior, simplesmente não precisa de o abrir para o mundo inteiro.
Bom, eu e ela tivemos algumas desavenças, outras alturas mais afastadas, mas o interessante é que foi das pessoas que sempre teve ao meu lado quando precisei. Sempre teve ao meu lado tivesse ou não razão. Nem que fosse para discutirmos uma com a outra ou dizermos mal, o que realmente importa é que no final, bem ou mal, estamos ali e depois... depois há muitos que não estão. Não posso negar, que apesar de tudo, sempre gostei muito dela, tenho um grande orgulho por ser uma lutadora e saber sempre o que quer da sua vida. Hoje em dia, não há tantas pessoas assim. Existem sonhos, mas não existem objetivos. Posso dizer que ela me ensinou algumas coisas e espero que ensine outras tantas, porque ainda nem temos trinta.

Para finalizar, sempre disse que tenho a maior sorte do mundo por ter os amigos que tenho. Cada um consegue completar tudo aquilo que preciso e que faz parte de mim. Mas hoje, é para a Clau...
E se algum dia, achares que estás sozinha, lembra-te sempre:
"Às vezes para vermos a cores do arco iris, tem de ser à luz da Lua".

Até já, Clau.