Diário d'Inês

quarta-feira, julho 16, 2014

Varrer Ruas

Querido diário,

Todos os dias quando vou para o meu estágio e saio pela manhã, passo em Loures e vejo uma menina a varrer ruas. Ora bem, uma menina já na casa dos seus vinte e tal anos, mas o propósito de eu falar nesta menina é: uma rapariga nova a varrer ruas? Pois é, parece coisa que alguns não questionam, mas existem alguns pensamentos que advertem desta visão que tenho todos os dias. Sei que, em primeira instância esta menina pode estar a fazer trabalho comunitário por ter feito algo incorreto, mas acham que foi isto que pensei? Não. O meu pensamento foi além da crítica, como se a rapariga de cabelos longos precisasse do trabalho ou quisesse trabalhar. O meu pensamento foi, a menina que está a varrer ruas, tem todos os dias com um sorriso na cara, diz bom dia alegremente às pessoas e tem emprego. Tem um emprego ou um trabalho que é honesto como outro qualquer e que, por melhor ou pior que possa ser segundo outras opiniões, esta menina pode não estar a fazer o que gosta, mas está com um sorriso na face. Pode não estar a fazer o que gosta, mas quer trabalhar e trabalha e ainda mais, trabalha com um sorriso na cara! E é disto que precisamos. Um sorriso na cara e um "bom dia" todos os dias, porque os dias são para viver, até mesmo os que trabalhamos. Precisamos de vontade de trabalhar seja no que for e ser amável com o próximo. Porque como vêm, até o que para algumas pessoas é um simples varredor de rua, nos pode ensinar qualquer coisa.

Saudações alegres.

quarta-feira, maio 28, 2014

C'

Querido diário,

Na semana passada, despedi-me de mais uma amiga que foi à procura de um sonho fora do nosso pequeno País. Na verdade, não me despedi e desta vez não por não gostar de despedidas, mas porque me troquei nos dias numa mistura de dias que ela pretendia viajar. Mas sim, não gosto de despedidas, mas desta vez, tinha ido, mesmo às seis da manhã. Queria ter deixado, pelo menos "Boa Sorte". Como não desejei, aqui ficam coisas que já dissemos e ficam na memória, aqui ficam umas palavras soltas, para finalizar a minha "não despedida".

A nossa despedida foi em festa, nem poderia ser de outra forma. Numa vila do Alentejo, onde já há muito estava para ir e desta vez não poderia deixar adiar o convite, tive de conhecer antes de a ver partir para a "terra das oportunidades". Ela não gosta muito destas coisas e de lamechices... aliás, na verdade não sei se será não gostar, porque afinal, lá no fundo, todos gostamos. E às vezes quem é mais frio consegue ter um coração maior, simplesmente não precisa de o abrir para o mundo inteiro.
Bom, eu e ela tivemos algumas desavenças, outras alturas mais afastadas, mas o interessante é que foi das pessoas que sempre teve ao meu lado quando precisei. Sempre teve ao meu lado tivesse ou não razão. Nem que fosse para discutirmos uma com a outra ou dizermos mal, o que realmente importa é que no final, bem ou mal, estamos ali e depois... depois há muitos que não estão. Não posso negar, que apesar de tudo, sempre gostei muito dela, tenho um grande orgulho por ser uma lutadora e saber sempre o que quer da sua vida. Hoje em dia, não há tantas pessoas assim. Existem sonhos, mas não existem objetivos. Posso dizer que ela me ensinou algumas coisas e espero que ensine outras tantas, porque ainda nem temos trinta.

Para finalizar, sempre disse que tenho a maior sorte do mundo por ter os amigos que tenho. Cada um consegue completar tudo aquilo que preciso e que faz parte de mim. Mas hoje, é para a Clau...
E se algum dia, achares que estás sozinha, lembra-te sempre:
"Às vezes para vermos a cores do arco iris, tem de ser à luz da Lua".

Até já, Clau.




domingo, maio 18, 2014

6 Meses

Querido diário,

Já passaram seis meses desde que me despedi do meu coelho Bennie. Na verdade, nunca tive coragem de escrever como tudo aconteceu e na verdade seria doloroso demais, transmitir. Afinal, merecem ficar as boas memórias. Mas nem sempre são apenas essas que ficam. Faz hoje seis meses, por volta das dezoito da tarde a uma segunda-feira, dia 18 de Novembro de 2013, que o telemóvel tocou da clinica onde estava o Bennie internado e eu ouvi: "Infelizmente, o Bennie não resistiu". Nunca na minha vida vou esquecer a voz da médica e estas palavras.

Seis meses depois, posso dizer que todos os dias penso nele. Ao longo destes seis meses leio muito sobre coelhos, porque nunca soube do que ele morreu, leio por vício, para aliviar a minha dor e para conseguir ajudar o próximo. Ajudo os animais que possa como antes, mas agora ainda com outro ponto de vista e com um coração diferente. Tenho outra coelha, a Bonnie, em homenagem ao Bennie. Um doce de coelha, amorosa, ainda bebé, uma binky bunny, uma mega trituradora de feno e devoradora de tudo. O Bennie marcou a minha vida para sempre. Deixei de comer carne, pouco depois que o Bennie partiu. Por ter percebido que todos têm direito a uma vida melhor e que faz parte de mim esta opção. Faz-me melhor a todos os níveis. Não tenho de justificar a ninguém, nem precisam apontar o dedo, são as minhas opções. Afinal, não tenho razão nenhuma para não o fazer, antes pelo contrário. Ser vegetariano, é uma opção, é um modo de vida e apenas faço aquilo com que me sinto bem.

Na vida, quando crescemos chegamos a uma altura em que olhamos as coisas de outro modo e estamos sempre a tempo de mudar. É assim em tudo na vida. Afinal, isto são apenas umas breves férias que temos de aproveitar. Não é por nada daquilo que sofremos que isto deixa de ser tão bom e que prazer, ter tudo aquilo que tenho! E que prazer e orgulho, ter tido o meu Bennie. Oxalá eles soubessem, o quanto nos fazem felizes.

Meu amor, mais uma vez, espero que tenhas encontrado a Paz.

R.I.P. Bennie.




sexta-feira, maio 02, 2014

Parabéns Campeão!

Ted, por tudo e por nada, "és o amor da minha vida, és o meu cão".

Muitos Parabéns Campeão, por estes indescritíveis 10 anos.

(amanhã coloco fotografia de hoje).

segunda-feira, abril 14, 2014

Hoje e sempre, pelos animais!

Querido diário,

Não só porque é hoje, mas porque foi um dia especial. Não só porque não escrevo há meses sem me lembrar quase que existes. Mas hoje existiu um acontecimento que quero partilhar. Hoje e sempre, pelos animais.
Hoje de regresso a casa, encontrei um cão vadio a caminhar à beira da estrada, como existem muitos. Mas hoje, decidi ir ao encontro dele, hoje não consegui apenas seguir o caminho para casa como se quase nada fosse. É triste ser nestes "quase nadas" que muitos vivem ou mesmo no nada. Hoje parei, não apenas por pena, mas por achar que ele não merecia aquilo, como nenhum merece. Agora podem dizer, e as pessoas não merecem? Não sei, não estou aqui para falar de pessoas, de pessoas já existem muitos para falar.
Hoje decidi parar porque não era apenas um cão vadio no seu passeio. Era um cão manco, quase sem pêlo nenhum e parecia velhinho. Voltei atrás com o carro, encostei e procurei-o. Quando fui ao seu encontro, era um cão manco, apenas com pele, de barriga inchada, testículo inchado, crostinhas perto da cabeça e magro que se via os ossinhos todos atrás. Como se não bastasse, tinha um medo enorme de pessoas. Não consegui tocar-lhe, ele fugiu. Decidi seguir de carro e tentar apanhá-lo mais à frente. Não consegui sozinha. O cão apenas continuava a andar e andar à beira da estrada. Tentei mais uma, duas, três, quatro vezes... O cão passava e ninguém olhava, como se passasse despercebido, em hora de ponta. Tentei contactar alguém que me ajudasse, nada consegui e perdi-o de vista.
Perdi-o de vista de lagrimas nos olhos, mas não foi sozinho, levou um bocadinho de mim e eu fiquei com um bocadinho dele. Sei que a probabilidade de ele ser ainda feliz é muito pouca. Mas, tenho esperança que alguém o encontre e o ajude. Neste mundo ainda há pessoas boas e essas pessoas são ricas para ajudar. Não ricas por terem dinheiro, mas ricas porque têm outros valores que alguns não conseguem ter, apesar de todos termos capacidade para o mesmo. As capacidades são aquilo que quisermos fazer delas.
Existe sempre a esperança de um dia tudo mudar e chegar a altura de pensar mais nos animais. E as pessoas? Nas pessoas, muitos já deveriam pensar e muitos já pensam bem ou mal. Meus caros, o ser humano tem capacidade para pensar em mais que uma coisa aos mesmo tempo e até mais que duas, portanto e os animais?
Um animal de estimação é para ser parte da família e estar no seio da mesma e é nisso que se deve pensar com a sua chegada a nossa casa. O animal não é para ser a ajuda no momento certo, não é para servir de consolo, não é para servir de alarme para ser guarda, não é para estar acorrentado sabe lá deus a fazer o quê. Um exemplo de que, existem psicólogos que tratam depressões e sistemas de alarme que guardam as casas. Já sem falar de outras tantas coisas ligadas a outras tantas áreas.
Se não têm condições não os tenham, se gostam deles não os deixem, não desistam, denunciem os maus tratos, tenham esperança. As coisas fazem-se aos poucos e o não fazer nada não é solução mas é sim o problema. O problema de isto continuar é as pessoas passarem por lojas e não reclamarem, é verem maus tratos e nada dizerem, é o chamado compactuar com estas situações. É tão ladrão o que entra no banco, como o que fica à porta. Um telefonema, um e-mail, pode salvar muitas vidas. Às vezes, não se salva, às vezes não se chega a tempo, mas acontece em tudo nas nossas vidas.
Na vida, todos temos capacidades para ajudar e acarinhar, a recompensa de o fazer é enorme. Seja que ajuda for, volta sempre para nós de alguma forma. Mas não é a pensar no futuro que se ajuda, é porque quando se ajuda, desperta um sentimento de euforia, de satisfação indescritível, que apenas sabe quem o faz e quem o consegue fazer. Agora, não falo apenas de animais. Mas, hoje é apenas para eles, os animais são parte das nossas vidas e parte deste mundo. Vamos fazer todos, com que este mundo seja um bocadinho melhor... Hoje e sempre, pelos animais!



Saudações carinhosas.

sexta-feira, janeiro 03, 2014

New year!

Querido diário,

Não tem sido fácil, nada fácil. Mas a vida continua, não é assim? Este ano nem feliz Natal, nem coisinhas de Natal, nem receitas... Mas, não estás esquecido! Recuperarei forças, como sempre, seguirei em frente e cá virei "escrevinhar" mais vezes. Afinal, sou tão sortuda por ter tido algo, que me custou tanto dizer adeus. Só custa, porque significou muito, significou mais do que aquilo que eu possa dizer. "Oxalá" um dia, nos encontremos todos.
Seria para falar de Ano Novo? Que seja melhor 2014 que 2013? Que o melhor de um ano, seja o pior de outro? Entra com o pé direito? 12 passas? Ora... deixemo-nos de tretas. O que faz um mês, um ano, uma vida, são as pessoas. As coisas não mudam porque muda o ano, não vão correr melhor as coisas porque é ano novo. Tretas, ilusões, necessidades psicológicas de acreditar numa coisa qualquer. Por ironia, acredito mais que mude com as fases da lua.
A atitude, a mentalidade, o coração é que tem de mudar. Assim é que se aprende, assim é que se vive. Este ano, a minha frase de eleição é "são as pequenas coisas que fazem a vida ser maior" ou então "a felicidade está nas coisas mais pequenas". Cada um, interpreta esta frase à sua maneira. A mim disseram sem me conhecerem, sem saber o que se tinha passado, como se por magia precisasse de ouvir novamente. Aquela frase, que já sabia em tempos, nesse dia veio no momento certo, de iniciar uma nova fase. Mas uma nova fase, não porque é ano novo, é apenas porque passei com distinção, mais um capitulo na minha vida. Ganhei mais saudade, mas sou muito mais rica. Assim, pensem nas pequenas coisas da vossa vida, nos pequenos pormenores... porque são esses às vezes, que fazem falta. Feliz Ano Novo.

Saudações com saudade.

quinta-feira, novembro 21, 2013

R.I.P. Bennie



Na verdade, nem sei bem por onde começar. A minha dor vai além de qualquer palavra, desta vez, nem escrever me alivia. É uma dor que me consome a cada momento que bloqueia qualquer coisa lógica que queira dizer de ti. Também, não é para ter lógica, é para ser sentido.
Então, vou começar assim: foste “O coelho”. Desejava um coelho orelhudo há muito tempo e tu apareceste nos braços do meu namorado, com um laçarote numa gaiola. Nem sabia os tantos cuidados que os coelhos exigiam, nem todas as suas necessidades, era tudo novo. Levou pouco tempo para me afeiçoar a ti, em pouco tempo, amava-te como hoje.
Na verdade, vou começar assim: foste “O meu amor”. Comecei a viver sozinha em Évora, longe de casa e dos meus pais, no meu pequeno T0. Adotei-te como um filho. Estava viciada em ti e comecei a ler imensas coisas de coelhos. Percebi, que não eras apenas um coelho, eras uma companhia como se fosse um cão. Todos os momentos contigo eram poucos, pensei sempre eu, talvez algo que dizia que a vida te ia tirar tão cedo de mim. Rapidamente encheste a casa de alegria. Eras um mariquinhas que não queria sair da gaiola, sempre com medo de tudo. Aos poucos foste saindo da gaiola para a cama, enroscavas-te em mim, pouco tempo e logo saías. Começaste a dar os primeiros passos pela casa e logo logo já corrias que nem um maluco. E assim foste descobrindo o mundo. Quis dar-te tudo o que conseguia. As minhas saídas à noite converteram-se em serões de mama e filhote. A minha alegria era estarmos os dois com o papa ao serão a ver-te fazer coisinhas novas e a brincar contigo. Vinhas para o sofá connosco ver televisão. Adoras coçar os tapetes e mordiscá-los. Já para não falar de tudo o que roeste em casa, deixaste as tuas marcas. Sempre que tinha o roupão, atado com o laço, lá vinhas tu para o meu colo mordisca-lo, puxá-lo, até desfazer o laço. Eras muito beijoqueiro. Um comilão e guloso do pior. Não se podia fazer crepes ou panquecas em casa, tu eras muito pedinchão. Até pipocas querias. Melhor de tudo, era gostares dos medicamentos, brufen e bactrim. Mas não gostavas de colo, o único colo a que vinhas era o meu. Entraste na adolescência e eras um verdadeiro macho-alfa. Adoravas as nossas pernas e querias fazer xixi em tudo o que era sítio. Mas o ex-líbris era ver-te a coçar o queixinho, a deixar o teu cheirinho nas coisas. Na casa da avó, adoravas o quintal, comer algumas coisas por lá. O teu sítio favorito era estar em cima da secretária a admirar o quintal pela parede de vidro, até dormias lá.
Queria que fosses a todo o lado ver o mundo e nunca te queria deixar sozinho. Já sabias o teu nome, o "não", "aqui" e a "midinhaa", leia-se comidinha, afinal era a tua palavra favorita. Sempre que chegava a casa dizia “MEU AMOR!!” e tu espetavas as orelhinhas e rapidamente estavas a roer a gaiola para sair. Adorava o final do dia, só porque sabia que ia para casa ver-te e queria aproveitar todos os segundos contigo. Fiz umas músicas e cantava para ti. Foste de férias, natal e fim de ano connosco. No natal, tiveste os teus biscoitos de prendinha e no fim de ano, na serra da estrela, também coloquei uma moedinha perto de ti para dar sorte. Ainda foste um coelho viajado por Portugal!
Foste ao veterinário várias vezes sem ter nada, porque estávamos sempre cheios de medo que te acontecesse algo. Decidi fazer a tua castração para ficares mais calminho. Ainda sofreste com dores no dia a seguir, mas recuperaste rápido! O papa ofereceu-te um bouquet de couve com salsa. Eras mesmo o nosso filhote. Ficaste mais roedor, traçavas ainda mais tudo em casa!
Infelizmente, no último fim-de-semana, adoeceste muito rapidamente e corremos contigo para o veterinário. Ficaste ainda internado dois dias. Ainda corremos de médico em médico a pedir opiniões, para te tentarem salvar. Não houve maior dor, do que estar a ver-te sofrer. Essa, foi a pior de todas. Corria o mundo se necessário, para não teres sofrimento. Mas nada houve a fazer. Partiste. E pelo menos, o teu sofrimento acabou, não merecias mais. Fiz tudo o que esteva ao meu alcance por ti e fazia mais se fosse preciso. Deixaste um vazio enorme na minha vida, mas um grande amor no meu coração. Dei-te todo o meu amor do fundo do meu coração. Foste o Bennie, o Rei! Foste e és, o Rei da minha vida. 

Bennie  Abr, 2012 - Nov, 2013